Todos temos um Caminho a percorrer. E mesmo que se vá em grupo o Caminho é sempre "nosso", porque cada um sabe como vai e porque o faz, cada dia que passa ganhamos um motivo...parece mágico! Isabel Vilhena
Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007
Caminhada de 2007 - Santiago de Compostela - Fisterra
Santiago de Compostela – Fisterra
1 de Setembro a 5 de Setembro de 2007
 
Santiago - Negreira
01/09 – Eram 5 horas da manhã quando eu e o meu marido acordámos, pois ficou combinado sairmos de Estarreja por volta das 6 horas. O Zé vinha de Aveiro com a Olinda, convém dizer que nós não a conhecíamos a não ser por telefone. A Olinda foi buscar o Zé a casa dele e depois vinham os dois ter a minha, para depois ir buscar a Sandra e seguir-mos para Santiago. Chegaram cá a hora certa e ainda tivemos uma surpresa, a Cármen que foi connosco no ano passado, apareceu cá para nós dar um beijinho e desejar boa-sorte.
Feitas as apresentações, fomos buscar a Sandra e seguimos para Santiago.
Fomos de carro e ao fim de uma hora de viagem a Olinda passou a ser a Linda e já falávamos como nos conhecêssemos há muito tempo… Já agora aproveito para contar a alcunha “Penetra”. É que nós (o grupo anterior) pretendia-mos acabar o Caminho Português iniciado no ano passado e queríamos que se mantivesse o mesmo grupo, mas por intermédio de uma amiga comum, a Linda ficou a saber que ia haver esta caminhada e mesmo sem nos conhecer quis ir…mas queria mesmo e como nós dissemos que não, ela andou a “chatear meio mundo” para nos convencer a deixa-la ir. Como houve duas desistências do grupo e como ela continuava a tentar arranjar alguém para ir fazer a Caminhada, nós, com “o nosso coração mole!!!...” lá lhe telefonamos para vir, mas com a condição de pagar uns Alvarinhos. Daí vem a alcunha de ”Penetra” mas também é conhecida pela “tortilha”, mais a frente conto porquê.
 Chegados a Santiago deixamos o carro no parque ao lado da polícia (quem conhece Santiago, sabe onde fica) e de mochilas as costas lá fomos nós a Oficina do Peregrino pedir informações e disseram-nos para ir a Oficina de Turismo.
Fomos lá buscar os mapas e de seguida fomos à Catedral dar um abraço ao nosso amigo Santiago e cada um fez as orações que quis e…prontos para o caminho até Negreira.
Seguimos pela Rua da Hortas pela Igreja de San Fructuoso e a sensação que dá é que vamos dar uma volta pelos arredores pois chega uma altura, na Carballeira de San Lourenzo , que se vê Santiago ao longe e a sua Catedral e lá seguimos nós com tudo a correr bem.
Íamos comendo as sandes que trouxemos de casa, parava-se para beber umas cañas ”. Atravessámos a ponte del Sarela e seguimos uma estrada paralela a estrada que vai em direcção a Noia , passando pelas povoações de Moas de Abaixo, Muním , Piñeiro,Roxos até chegar a aldeia da Portela. No concelho de Ames encontrámos lugares com Lombao e Aguapesada onde se encontra uma ponte medieval indicando em frente um caminho recentemente recuperado. Aqui surgiu uma subida…mas que subida chamada “Costa Forte”, ela tinha bancos de 20 em 20 metros para descansarmos por isso dá para imaginar como era a subida, só sei que quando ela acabou, no Alto do Mar de Ovelhas, o meu coração disparou a uma velocidade que tive de estar deitada no chão até ele estabilizar. Estamos na Comarca de A Barcala onde se pode ver um rico património natural e artístico, passamos por uma igreja barroca quando passamos por Trasmonte . Fomos andando até passar por um sítio muito lindo a Pontemaceira , onde há um açude, o rio Tambre . Daí seguimos para Barca de seguida Chancella de Abaixo e finalmente Negreira.
Quando chegámos fomos à procura do Albergue, estava cheio, mas tinha tendas cá fora e foi onde dormimos…os cinco, numa tenda…
Fomos tomar um banho e fomos jantar, bifes com batatas fritas eeee Alvarinho! Nesse restaurante conhecemos uns peregrinos de Alicante que iam para Fisterra e ficámos amigos pois além de nos acompanhar ficamos com os contactos deles e falamo-nos por mail’s . E foi aqui que a Linda começou a dizer que queria tortilhas, mas não comeu, mas também não se calava a dizer que as queria provar…
Bem, quando fomos dormir, mais parecíamos uns adolescentes tal era a galhofa, aliás não foi só esta noite…a Linda tinha um foco que se punha na cabeça e o Zé achou piada àquilo…teve mais de meia hora a dizer que ia lavar os dentes…só estando lá!!!
 
As fotografias 

 

As nossas tralhas

Os 5 Magníficos

Lá está o Zézito a comer uma pêra .

Neste sitio passou-se uma cena mística "; O Zé estava a dizer a Linda que Deus dá-nos tudo aquilo que nós precisamos, nisto encontra uma banana no chão...

...apanhou-a e comeu-a!!!!

Rua das Hortas

Este é o Tozé, ninguém lhe tirava fotografias...

Aqui vou eu a falar com os meus filhote

Este sitio é a Carballeira de San Lourenzo

Ultima vista da Catedral e Santiago

Uma pausa para comer

O meu marido trouxe os bastões para ele, mas quem os utilizou fui eu!!!

Para quem faz caminhas é optimo.

Uma pausa para comer!!! Há, também para beber umas cañas

A Linda está com um ar cansadinho, mas não é do caminho, é que ela tinha estado a fazer uns alongamentos e estiramentos e assim umas coisas que faz muito bem, mas que infelizmente não evitam as bolhas, dores de costas, etc....

Aqui está a menina das bolhas...

O Tozé tem o saco das esmolas ao pescoço!!!

Ora aqui está a ponte medieval de Aguapesada

O começo da subida da Costa Forte, aqui nesta foto, não dá para ter uma ideia do rude que a subida é.

Pela nossa cara, dá para ver de como estamos cansados.

Oh, a Linda a fazer um alongamento a perna...

Mais uma paragem para umas cañas !!!!

O rio Tambre .

Chegamos a Ponte Maceira

Pousar para a fotografia

Ai que bom!!! A nossa vontade também era ir para ali, mas depois ficava tarde...

A casa que vamos comprar!!! 

A ponte é uma passagem, p'ra outra margem

Não dá vontade de molhar os pés...

Que giras!!!

Este foi o Ferrari que a Sandra comprou na caminhada...

....mas como era para caminhar teve de o deixar ficar!!!

Esta é uma foto artistica do meu marido e a seguir...

...vem outra, que tal???

e lá vamos nós por este bosques, ainda nos aparce um Robin Hood!!!

Negreira, chegamos finalmente...o que se vê ao fundo é a capela de San Mauro.

Albergue de Negreira

Ao fundo, a direita vê-se a nossa tenda.

e finalmente a paparoca...a Linda queria tortilha, mas ainda não foi desta vez que comeu tortilha...

Que giros!!! Quem são???

Ora aqui está os nossos amigos espanhóis, que também iam para Fisterra .

Bem, aqui estamos na tenda, o Zé esteve "montes" de tempo para ir lavar os dentes.

Amanhã é outro dia, direcção a Olveiroa...

 
Negreira -  Olveiroa
02/09- Acordamos cedo como podem ver nas fotografias, apesar de estar nevoeiro, não estava frio. Comemos umas coisitas na tenda e começamos logo andar a procura de um café para tomar o pequeno-almoço, mas o café nunca mais aparecia. Passamos uma pequena ponte sobre o Rio Barcala a saída de Negreira. Íamos nós a passar por uma povoação, quando vimos uma carrinha a vender pão, dirigirmo-nos a carrinha quando vem um cão direito a Olinda, que foi-se logo esconder atras do Zé. Nisto aparece uma data de vacas e umas das vacas escorrega e cai, bem, foi ali uma risota, mas depois lá fomos nós comparar o pão a padeira e compramos também uns bolos, quando nos aparece um cafezito onde fomos beber, pois comer já tínhamos.
A rota volta a coincidir em diversos pontos, a longo deste trecho, com o antigo Caminho Real a Fisterra, assim recordam lugares como o Camiño Real e Portocamiño. 
Quando passamos Portocamiño deparamos com uma paisagem agreste, muitas vezes por trilhos de pedra. Uma coisa “engraçada” neste caminho é que se encontra muitas vacarias, é porta sim, porta sim, por isso tenham em atenção em faze-lo de dia, as estradas estão bastantes “sujas”!!!!
O nosso almoço foi divinal (!!!!), paramos num café de beira de estrada, a seguir a um cruzeiro e fomos atendidos por uma senhora que a simpatia tinha-lhe fugido para os pés, mas lá nos serviu uns “bocadillos” com presunto. Ficamos aí, parados algum tempo, deitamo-nos no chão cá fora com as pernas encostadas a parede do café, eu acho que até fiz uma soneca!!! Nesse café também estavam os nossos amigos espanhóis…Bom depois de descansar-mos pusemos os pés ao caminho. Íamos nós a caminhar há meia-hora, quando sinto uma dor no pé, vi logo o que tinha sido. Toca a tirar as botas e a calçar as chinelas de velcro, pois foi uma bolha que rebentou. Com as botas as costas e de chinelas nos pés seguimos viagem.
O trajecto percorre zonas de planaltos que nos permite amplas perspectivas sobre as terras dos municípios de Negreiras e Mazaricos, este último já na Comarca de Xallas. Como não podia deixar de ser, este trecho também tem umas subidas muito boas, o Monte da Pena antes de chegar a Maroñas e o Monte Aro já depois de se passar o Bom Xesus, aqui até paramos na soleira da porta de uma casa, mas as pessoas já sabem que são peregrinos e não dizem nada, até nos vêm oferecer auxilio se for preciso. A partir do Monte Aro começa-se, então a ver a Comarca de Xallas. A Comarca de Xallas é conhecida pelo seu artesanato em vime principalmente pelos seus chapéus de palha. Nota-se muito a presença da arte popular e as igrejas são da Idade Média.
Há umas fotos abaixo do Zé e do Tozé a passar por um campo de milho… a Olinda diz que parecem uns templários, não deixa de ter a sua razão.
Atenção a uma coisa, quando encontrarem um café, é melhor abastecerem-se de aguas, porque em certos sítios não se encontra nada, ou estamos a subir serras por entre bosques ou atravessar campos…Em Corzón fizemos um desvio obrigatório (a sinalização não era a melhor, optamos por o caminho de asfalto) e começamos a descer uma montanha, mas por estrada, eu comecei a ficar para trás pois as bolhas não permitiam andar depressa, comigo ficou o Zé e Tozé, a Olinda e Sandra andaram mais para a frente, mas não nos perdia-mos, porque elas as duas iam a cantar tão alto…e que bem que elas cantavam!!! Qualquer pessoa com o ouvido bem apurado…fugia delas!
Na parte final deste trecho a água é a grande protagonista. O rio Xallas e as suas ribeiras tornam-se presentes sobre tudo em Ponteolveiroa, cuja ponte construída no século XVI e reformada posteriormente, situa-nos nas terras de Dumbría.
Passamos pela represa de A Fervenza que tem o seu fim em Olveiroa.
Olveiroa é onde está o tão desejado albergue.
Chegamos ao Albergue cedo, a Sandra e a Olinda chegaram depois de nós. Olveiroa é uma aldeia muito engraçada, com as casas todas em pedra, a única coisa que ali estava mal, era o cheiro que se sentia no ar, pois as vacarias ali existentes, são muitas.
O albergue é muito engraçado, nós que reclama-mos tanto com o cheiro fomos dormir para um antigo estábulo, mas agora arranjado, fizeram um quarto improvisado com 3 camaratas, ou seja 6 camas. Depois do banho e de cuidar das bolhas, que quanto a mim já era mais uma, fomos jantar, quando lá chegamos já lá estavam os nossos amigos espanhóis. Comemos Caldo Galego, é como o nosso Cozido a Portuguesa.
 Quando estávamos a jantar, sentou-se na mesa ao lado um rapaz como uma cara tipo bolacha e com os olhos sempre muito arregalados, eu e a minha cunhada disse-mos que ele era esquisito, a Olinda também ajudou a conversa, enfim tínhamos que nos rir de alguma coisa…bem a conversa fico por aqui, depois de jantar ainda ficamos a falar mais um pouco com os nossos amigos espanhóis e depois lá fomos para a caminha. Bem, quando chegamos o quarto não parávamos de falar e de rir de tal forma que os vizinhos de baixo nos vieram mandar calar, mas reparamos que a cama que estava livre antes de irmos comer, agora estava ocupada, mas ainda não conhecíamos a personagem. Passado um bom pedaço de tempo chegou o ocupante misterioso, entro com o quarto as escuras, disse-nos que era Suíço, ora nós baptizamo-lo logo, se é suíço vai-se chamar Milka e entre muitas perguntas que lhe fizemos sem jeito nenhum, era quando é que era a apanha do relógio na Suiça…quando acende-mos a luz para lhe ver a cara…era o que estava a jantar ao pé de nós!!!

Aqui está D. Sebastião...

A procura do pequeno-almoço

Amanhecer....

os nossos amigos de Alicante, estavamos apanhar maçãs...

Eu e o meu marido

A penetra e eu

Aqui está o Zé a espera do Senhor Cura

Um templário

mais outro templário

Eu, já de sandálias e botas as costas...

Que são???Mais templários...

Depois do banho a que cuidar das bolhas...

 A espera da janta, ou melhor do Caldo Galego

O Zé a comer a sobremesa...

 

Olveiroa - Muxía
 
03/09 – Levantamo-nos muito cedo, a Sandra enganou-se a por o despertador e acordamos as 4:30 da manhã, mas só demos conta quando estávamos já a tomar o pequeno-almoço na cozinha do albergue.
Saímos era escuro, não se via nada, a paisagem devia ser muito bonita, pois aprecebiamo-nos  que estávamos perto de água, fazia um vento e um frio horrível, passamos por aldeias ainda com tudo a dormir. Paramos numa paragem de autocarros para vestir os corta-ventos já na cidade de Hospital e foi aí que tomamos um novo reforço de pequeno-almoço. Pois com o vento que estava uma coisa quente sabe sempre bem, eram 6:00 da manhã quando saímos do café.
É aqui em Hospital que o peregrino escolhe se quer ir para Fisterra ou Muxía. Ora nós decidimos ir para Muxía, como sempre mudamos os planos a ultima da hora, estava programado ir primeiro a Fisterra.
Aviso mais uma vez a quem faz este trajecto para se abastecerem com água e comida, porque entramos numa zona de bosque onde durante muito tempo não se vê um único café e como o trajecto é subidas e descidas o desgaste é muito.
É de tal forma o desgaste que quando entramos na primeira povoação paramos no primeiro café que encontramos, ora deviam ser uma 11horas, em Espanha só se servem os almoços a partir das 13 horas. Bem como a fome era muita e a Sandra já não se vinha a sentir muito bem, pois chegou uma altura que começamos a comer framboesas silvestres que íamos apanhando e que nos sabíamos tão bem.
Chegamos ao café e perguntamos ao senhor o que havia para comer, ele disse que ainda estavam a preparar, mas nós como íamos com fome insistimos e ele disse que a única coisa que nós podia dar era “gravanzos com pata de tenera”, ou seja, grão de bico com mão de vaca, ora ele trouxe-nos um prato com 5 garfos, escusado será dizer que limpamos o pato, bem, resumindo, acho que comemos umas 3 doses daquilo com pão e vinho, naquela altura aquilo para nós era um manjar dos deuses. O senhor foi extremamente simpático, apesar daquilo ser uma “tasquita” a simpatia das pessoas é tudo.
De barriga cheia lá seguimos caminho sempre por bosque e sempre a espera de ver o mar, é impressionante sabermos que estamos perto do mar e não o conseguimos ver…
Passamos por uma povoação San Martiño de Ozón onde se encontra um dos maiores espigueiros da Galiza e onde está uma igreja de estilo românico e ainda se vê vestígios do antigo mosteiro beneditino de San Martiño. Apanhamos um pouco de caminho lamacento, mas vá lá, conseguimos passar sem nos sujarmos…a não ser a Olinda, foi a única a meter os pés na lama, é um espectáculo esta mulher!!!
Também é bonito o Mosteiro de San Xulián de Moraime, ao qual se chega depois de se cruzar o lugar de Os Muínos.
Finalmente, vimos o mar, já não era sem tempo. Acabamos de descer a serra e sentamo-nos apreciar a paisagem na soleira da porta de uma casa a pensar que já estávamos em Muxía, mas o senhor apareceu e disse-nos que ali era Camariñas, mas que Muxía era perto, mas para eles é tudo perto agora para quem está a pé, … Bem, lá fomos nós embora e aqui existe uma pequena descida em terra e gravilha, ora a Olinda como ia de chinelas de praia e ainda por cima cheias de lama, dá um valente malho…desceu depressa!!! Ora é claro que houve risota e mais risota houve, porque a Sandra caiu logo a seguir e eu comecei logo a descer por onde havia erva, não me fosse acontecer o mesmo.
Lá seguimos nós em direcção a Muxía, aqui, neste pequeno trajecto deviam por melhor a sinalização, porque aquela que foi pintada já não se vê bem e nós enganamo-nos, mas demos logo com o erro e retomamos o caminho certo. Lá chegamos nós a Muxía e ao albergue, o albergue de Muxía é novo e tem umas condições excelentes.
Depois de tomarmos banho descansamos um pouco e fomos a Oficina de Turismo buscar a Muxía.
 A Muxía é muito controversa, porque é a prova que chegamos ao fim do caminho, mas em Fisterra também nos dão a Fisterrana que é também a prova que acabamos o Caminho de Santiago e tanto quanto me apercebi, existe uma certa rivalidade entre Muxía e Fisterra.
Bem, lá viemos nós com o nosso diploma e fomos pelo Passeio Marítimo ao Santuário da Nossa Senhora da Barca que é o ponto final do caminho.
A igreja do santuário é do século XVII é a primeira visão que temos. Depois pode-se andar a volta as pedras grandes que circundam o santuário, pedras estas, que têm o seu segredo: só é preciso seguir os rituais e foi o que fizemos, mas primeiro é preciso saber a história daquele sítio…
…o caminho até ao fim da terra (Fisterra) também está relacionado com o Caminho do Sol, a nossa civilização descende da civilização Celta. Ora os povos daquela zona ainda eram muitos ligados as suas renças e ao culto pagão, com a proximidade de Santiago de Compostela era muito desagradável para a igreja estas povoações ainda praticarem o culto pagão, então diz-se que Santiago, quando andou na Península Ibérica a envagelizar, andava muito triste por não aqueles povos não terem fé, então a Virgem apareceu-lhe numa barca a dar-lhe coragem para ele não desistir, então os povos ao saberem disso começaram a ter fé em Santiago e na Virgem da Barca e a deixarem lentamente o culto pagão.
Ainda é possível ver que algumas destas pedras tem a forma de o casco de uma barca, de uma vela e do timão, diz-se que se passarmos por baixo da barca que ficamos sem dores de costas e se pusermos a cabeça num buraco que existe lá numa pedra, nunca mais temos dores de cabeça, nós pusemos a cabeça…mas no buraco errado, é por isso que ainda temos dores de cabeça!!!
Depois disto fomos jantar e jantamos bem, por causa da Olinda veio tortilha…e depois pedimos mais umas coisinhas e fomos para o albergue descansar, e portamo-nos bem pois não estávamos sozinhos…
 
Albergue de Olveiroa
Cozinha do Albergue
Que bem-dispostos!!!
Que frio!!!...
Aqui estáo marco onde o peregrino escolhe o seu Caminho...
Tão lindas e tanto friozinho
Que "guapos"...

 Uma paragem para descansar...

Que ar de cansado...e não é para menos! 

 Aqui está o "tasco" onde se comeu o grão de bico, o senhor foi tão simpático que nos tirou uma foto.

Mais uma caminhada 

Este rapaz além das tralhas dele, ainda levava o meu saco-cama... 

 Aqui foi a primeira vez que avistamos o mar

Olhem só que tralho 

...mas ficaram felizes... 

 

Camariñas

 Sim Senhora,que limpeza!!!

 Muxía

 Aqui estavamos a chegar de um pequeno engano!!!

 A caminho do Albergue

 Nossa Senhora da Barca

Aqui esta a pedra em forma do timão

 Já avistaram os piratas!!!!

 Aqui está um  momento de meditação

Dizem que pondo a cabeça aqui na pedra, as dores de cabeça passam... 

...mas acho que pusemos a cabeça no buraco errado... 

...por isso é que as dores de cabeça não se vão embora! 

Aqui mais pareço que me doi é a barriga 

 Santuário de Nossa Senhora da Barca

e...chegou a hora da comida 

 e da risota

 

Muxía – Fisterra
04/09 -  Acordamos cedo, mas não de madrugada, tomamos o pequeno-almoço no albergue, tem uma excelente cozinha e fomo-nos embora, estava muito frio e vento, mas o caminho era bonito sempre a beira-mar.
Até que começaram os problemas depois de começarmos a subir uma montanha. O caminho não está sinalizado de Muxía para Fisterra, tivemos de perguntar varias vezes ou seguir-nos pelas indicações contrárias (Fisterra – Muxía), encontramos vários peregrinos que também andavam perdidos. Depois de passarmos por serra voltamos novamente a ver o mar.
Este tramo do caminho é realmente muito bonito, porque temos sempre as duas paisagens, tanto a serra como mar, não se torna tão monótono.
Até que chegamos a um sítio espectacular a ria de Lires onde tivemos de nos descalçar para atravessar a ria, é claro que aquilo foi fantástico aproveitamos para descansar e brincar um pouco, para as minhas bolhas aquela água foi uma maravilha e a paisagem é maravilhosa.
Bem depois da brincadeira, pusemos os pés novamente ao caminho, andamos mais um pouco e paramos para almoçar.
Comemos muito bem num restaurante de uma aldeia pequena, mais uma vez comemos tortilha... a Olinda tomou-lhe o gosto…e bifes com batatas frita, sabem tão bem estes almoços!!! Descansamos um pouco numas espreguiçadeira e lá voltamos nós a carga. Desta vez foi dura, pelo menos eu achei, tivemos uma subida que deu cabo de mim, mais a frente paramos para descansar porque estávamos estafados, a Olinda aproveitou para fazer alongamentos e estiramentos…aquelas coisas…voltamos novamente a serra, mais propriamente ao Monte Faro mas era diferente porque de vez enquando aparecia o mar
Até que chegamos a Fisterra, ao Fim da Terra, como sempre é uma alegria inexplicável, cumprimos o nosso objectivo com imenso esforço. CONSEGUIMOS, todos juntos mas sozinhos, chegamos ao fim. E para trás ficam as dores, bolhas as tentativas de desistências, enfim, mais uma missão cumprida.
Fomos ao albergue onde ficamos numa verdadeira suite com uma maravilhosa vista, como podem ver nas fotos mais abaixo, tivemos sorte, porque só havia mais quatro lugares. É no albergue que nos dão a Fisterrana.
O Tozé, a Olinda e o Zé foram cumprir a tradição e foram ao mar tomar banho a praia da Langosteira onde está a Cruz de Abaixar, pois dizem que quem chega a Fisterra deve-se ir purificar nas aguas do mar. Eu e a Sandra fomo-nos purificar nas aguas quentes dos chuveiros do albergue e a seguir fomos beber umas cañas até eles chegarem e comprar umas lembranças.
Quando eles ficaram prontos fomos ver o por do sol ao cabo, pois é outra tradição, no albergue sabem sempre a que horas é que se dá o pôr do sol, ora eu ainda me aborreci, no bom sentido, porque íamos quase a correr e como eu tinha duas bolhas debaixo de cada unha dos dedos grandes, custava-me andar, mas lá fui. E vimos o pôr-do-sol no fim do Caminho da Rota do Sol, pois para os peregrinos antigos que chegavam aqui e viam o sol a cair no mar, era uma coisa fenomenal e inexplicável. Ainda nos falta queimar uma peça de roupa velha no farol, mas eu não conseguia ir lá, tinha de andar mais 3Km a Sandra também não estava para aí virada e tínhamos fome. Pois é outra das tradições queimar a roupa velha que foi usada no Caminho no farol, é claro que nos dias de hoje se queima uma peça de roupa simbólica, não a roupa toda…
A seguir fomos jantar e ao ir para o restaurante encontramos os nossos amigos espanhóis, eles já tinham marcado num restaurante. Nós fomos para outro que nos tinham aconselhado, a Casa Velay, e foi muito bem aconselhado, porque realmente come-se muito bem e como foi o fim, comemos o que nos apeteceu, eu o Tozé e a Sandra comemos Arroz de Lagostins, o Zé e a Olinda, bifes com muitas batatas fritas.
Depois fomos até um bar onde estivemos com os nossos amigos espanhóis e depois cama, aliás eu e a Sandra fomos para a cama o Tozé o Zé e a Olinda foram ainda ao Farol, como quando chegamos ao albergue nos mandaram calar, eles resolveram ir ao Farol, eles para lá foram bem, mas para cá o cansaço era muito e custou-lhes um bocado. Chegaram já tarde e adormeceram logo.
Saida do Albergue de Muxía
Fazia uma ventania...
 
Um caminho agradavel, com o mar ao fundo
Os nossos "homes"
A Olinda a começar a tirar a roupa, tarammmm...
Pausa para ganhar energias e comer
e aproveitar e tirar umas fotos
Que românticos
caminhos agrestes
Chegamos ao melhor...
É aconselhavel passar de meias, pois as pedras escorregam
bonito, não?
Aproveitar para descansar
A tal subida que me deixou de rastos
aqui está a nossa suite...
aqui está o pessoal a purificar-se
...e a brincar
que três
As minhas bolhas
O pôr do sol em Fisterra
Na Casa Velay
No Bar Celta
um momento de meditação
quando foram ao farol
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publicado por Bolhas e Ampollas às 12:07
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