Todos temos um Caminho a percorrer. E mesmo que se vá em grupo o Caminho é sempre "nosso", porque cada um sabe como vai e porque o faz, cada dia que passa ganhamos um motivo...parece mágico! Isabel Vilhena
Segunda-feira, 29 de Outubro de 2007
Quarto e quinto dia de Caminho

Caldas de Rei - Teo

Dia 5/9 Dormimos como uns anjos, saímos do pavilhão era 6 da manhã, ainda foram lavar novamente os pés com água quente e lá fomos nós de foco aceso pois ainda não tinha amanhecido, mas quando o dia começou a nascer foi tão bom, as paisagens são tão bonitas, as pessoas tão simpáticas sempre que vêm um peregrino perguntam logo se querem agua ou fruta, passamos por aldeias tão rústicas íamos a comer fruta tirada das arvores, tendo sempre atenção para ver se não tinha remédios, e lá fomos nós devagar até chegar a Padron, já quase a chegarão centro de Padron, passamos por uma casa sem portões, mas com uma boa relva e sombra, resolvemos entrar e deitamo-nos na relva enchemos as garrafas de uma torneira que ali estava de regar a relva, se a dona nos viu, não disse nada e estava em casa porque as janelas estavam abertas. Chegamos por volta da hora de almoço, devia ser 1 hora. Padron é uma cidade pequena, mas acolhedora tem um parque junto ao rio cheio de sombra que foi uma maravilha. Comemos aí nesse parque numa esplanada que fica perto da Igreja de Santiago de Padron, onde está a pedra onde a barca que trazia o corpo de Santiago atracou. Dizem os de Padron que Santiago está lá debaixo daquela pedra… Almoçamos que foi um regalo, trouxeram-nos um vinho verde tão fresquinho, nem tenho palavras para dizer o que este almoço me soube bem. Senão fosse as minhas lindas bolhas, estava tudo perfeito. Logo depois de almoço deitamo-nos nos bancos do jardim a descansar e a dormir, mas quem é que conseguia dormir com o calor que estava. Deviam ser umas 3 horas decidi ir ao Centro de Saúde, ainda bem que tratei na Segurança Social do cartão de assistência médica no estrangeiro (E111), fui logo atendida e o centro vazio, aqui em Espanha as pessoas não devem estar doentes!!!! A esta hora em Portugal os centros estão cheios de gente. Lá me fizeram um penso aos pés, deram-me adesivos e ligaduras. Foram muito simpáticos. Fui ter com o resto do pessoal que já estavam num bar.
Deviam ser umas 5 horas partimos para Teo, onde fomos dormir no albergue, foi um trajecto bom e lindo de fazer, passamos pela Fundação Camilo José Cela que foi prémio Nobel da Literatura, pelo Colégio Santa Maria de Iria, mais a frente o Santuário Mariano da Esclavitude que tem umas torres parecidas com as de Santiago mas em ponto pequeno e depois por o meio de muitas aldeias. Nós sempre que perguntamos quantos quilómetros faltam, dizem sempre 3 km, mesmo que faltem 5. Já devia ser umas 9 horas da quando chegamos ao albergue de Teo, que é muito simpático, é pequeno mas é engraçado. Se soubéssemos, tínhamos já comprado comida, pois aqui perto não há restaurantes, existe um comercio um pouco mais acima onde o Tozé, Zé e Luísa foram comprar umas latas de comida e aquecemos aqui no albergue. No fundo foi o jantar mais divertido, pois eles trouxeram o que havia, então misturaram numa panela, dobrada com feijoada…comeu-se tudo. Neste albergue encontramos dois brasileiros e uma espanhola, a Encarnacion, que já tínhamos estado com eles em Pontevedra. Reparei que ela trazia uma mochila pequena e perguntei-lhe como é que ela conseguia trazer tão pouca roupa, foi então que ela nos mostrou que a roupa, era daquele material dos equipamentos desportivos, ocupa pouco espaço, é leve e seca depressa. Tenho os pés que nem os sinto mas tem valido a pena, nunca na minha vida pensei conseguir chegar até aqui. Passar por esta experiência foi uma das coisas melhores que eu tive, a primeira foi ter tido os meus filhos, também tenho um marido fantástico que me incentiva e ajuda. Tem sido tudo uma maravilha.
Fotos do 4º dia

 

Ora aqui estamos nós a lavar os pézinhos antes de seguir caminho

Noite escura, ainda não se via ninguém na rua, mas a madrugada já estava quente

 

Aqui já estava a amanhecer. Ver o amanhecer no meio de bosques é uma coisa...encantadora!!!!

Paragem para um breve descanso

Mais outro descanso...

Aqui já se vê Padron ao fundo...

e, aqui estamos nós a descansar mais um pouco na casa de...não sei quem...

Padron, foi nesta alameda que comemos, numa esplanada lá no fundo por baixo dos plátanos e também onde dormimos uma soneca a tarde nos bancos de pedra.

 

 

Aqui está a pedra (padron) onde amarraram a barca com o corpo de Santiago. Dizem os de Padron que os restos de Santiago estão ali...

Fachada da  Fundação Camilo José Cela

Aqui, mais uma paragem, pois as gentes locais são muito simpáticas e deram-nos água e fruta.

Aspecto de uma aldeia

São tão engraçadas estas ruelas...

Santuário Mariano da Esclavitude as suas torres são idênticas as da Catederal de Santiago de Compostela, mas em ponto pequeno.

Mais um incêndio

e já perto do albergue de Teo

 

 

Quinto dia de Caminho 

Teo - Santiago de Compostela

 

 

Dia 6/9 – Ontem nem dei conta de ter adormecido, acho que mal me deitei, dormi logo. Hoje faz anos a minha cunhada, a Sandra. Que rico dia que ela teve, a caminhar até Compostela. Saímos do albergue por volta das 7 horas, estávamos todos com pressa pois faltava pouco para Santiago e queríamos chegar e ir a missa do peregrino. Guardamos um pouco de pão e vinho da noite anterior, que era para no sítio onde se avista-se as torres de Santiago comêssemos pão e bebêssemos o vinho pois, “com pão e vinho se faz o Caminho”. Azar o nosso que ainda estava nevoeiro e não se viam bem, mas viam-se, lá bebemos um pouco de vinho e comemos o pão e seguimos viagem. Esta foi a parte do trajecto que menos custou, deve ser por estarmos perto. Quando chegamos a Santiago, notou-se logo, o transito imenso, e tivemos que subir a subida do hospital que não é nada meiga. Mas lá seguimos nós, quando chegamos a jardim e vi a Porta da Faxeira deixou-me de doer os pés. Paramos aí todos contentes, pois essa é a rua que nos leva a Catedral, fizemos uma festa. Fomos directos a Praça das Praterias, onde tem a fonte atrás da Catedral, pois os antigos peregrinos não entravam na igreja sem se irem lavar aí e aí vestiam roupa limpa para ir abraçar o amigo Santiago. É claro que não fomos mudar de roupa, mas foi um gesto simbólico. Depois fomos a missa do peregrino, que encheu a igreja e ela é grande!!! Fomos depois a Oficina do Peregrino carimbar o passaporte e receber a Compostela. Aí foi uma alegria tão grande, a partir desse momento fui considerada uma peregrina de Santiago de Compostela, quando chegar a casa vou fazer um quadro da minha Compostela e do Tozé, há-de estar sempre em lugar de destaque.
Fomos comer, que também é preciso, e a tarde lá fomos nós cumprir os rituais. Entrar na catedral pelo Pórtico da Gloria, por a nossa mão na arvore de Gissé, para a nossa vida prosperar, bater com a nossa cabeça na cabeça do Mestre Mateo (que foi quem fez o maravilhoso Pórtico da Glória, e o povo de Compostela achou-o tão bonito, que tirou os olhos ao homem para ele não fazer mais nenhum igual, coitado não era preciso tanto), mas é uma tradição antiga que os universitários faziam antes dos exames, para o Mestre lhes dar inspiração. Seguidamente e como não podia deixar de ser, fomos dar o abraço ao Santiago, que desta vez foi um abraço diferente, foi um abraço sentido e de agradecimento e de…tudo. Oramos, rezamos. Pedi o que me levou ali e sabe Deus o que me custou pedir.
E lá fomos nós comprar os regalos como não podia deixar de ser, tinha que trazer uma prenda aos meus filhos, não vejo a hora de os ir buscar a casa da tia é umas saudades que tenho deles. Decidimos passar aqui a noite e ir amanhã no comboio das 6.20h. e estou aqui no seminário, mas estou a detestar, que sitio mais deprimente, não era eu que punha aqui um filho…isto deprime mesmo, parece um campo de concentração com grades na janela, vou tomar banho, até isso é horrível, os quartos de banhos são comuns a homens e mulheres embora tenham gabinetes fechados e individuais. Não me apetece estar aqui, bom, vou tomar banho e depois logo se verá.
Fotos do 5º dia

 Aqui estamos nós fresquinhos a saída do Albergue de Teo

Pois é hoje que vamos chegar a Santiago de Compostela

Aqui estou eu com o meu marido e eu de chinelas novas, dois nºs. acima do que eu calço...

Aqui, é onde se avista pela primeira vez  a Catederal de Compostela

 

 

 E como o caminho se faz com pão e vinho, nós, em gesto simbolico, comemos um pouco de pão e bebemos um pouco de vinho.

Pois o Zé, o nosso Mentor, teve o cuidado de guardar do jantar da noite anterior... 

 Aqui está o Batedor...

Eu 

a Luisa 

E CHEGAMOS A SANTIAGO DE COMPOSTELA 

Aqui estamos nós na Porta da Faxeira onde me deixaram de doer os pés e as bolhas, etc...

A Porta da Feixeira é a entrada do Caminho Português

 

Fomos pela Rua do Franco...

 

...até a Prça das Praterias

onde em gesto simbolico lavamos as mãos, pois outrora era aqui que os peregrinos se lavavam antes de entrar na Catederal

Aqui estamos na Praça do Obradoiro. Nós estamos virados para a Catederal, atrás de nós fica o Paço de Raxoi, sede do Ayuntamento e Presidencia de la Xunta de Galicia,  ainda se vê um pouco ao fundo o Hotel dos Reis Católicos e do outro lado que não se vê na foto, portanto do lado onde eu estava a tirar a foto  é o Colégio S. Jerónimo onde funciona a reitoria da Universidade de Compostela.

Altar da Catederal 

Luisa a por a mão na árvore de Gizé 

 Tozé

Zé a dar as trés "cabeçadas" na cabeça do Mestre Mateo 

Junto a Porta Sagrada 

Esta porta foi por onde entrou os restos mortais de Santiago. Só é aberta no ano de Jacobeu, que é quando o dia de santiago calaha a um Domingo. 

Oficina do Peregrino 

 

A carimbarem o meu passaporte e é neste momento que serecebe a Compostela 

 O Tozé a receber a Compostela, é nesta altura que nós nos tornamos Peregrinos de Santiago de Compostela.

O cansaço do fim do Caminho 

 

mas há sempre tempo para beber umas "cañas" 

A ida para o Seminário 

Um pequeno descanso 

A partida para a noite... 

 

 

Jantamos umas tapas 

 ...e como aquele bar fechou fomos para outro...mas o cansaço era muito e resolvemos ir dormir...

 

...para esta maravilhosa suite

este foi o nosso quarto, um banco de pedra em frente a estação.

 



publicado por Bolhas e Ampollas às 14:55
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